
E quem fala em momentos de crise, fala de dores de crescimento.
Poderíamos ficar pelas dores apenas. Mas abrir a porta para a dor, constitui a escolha para o crescimento. De querer abrir a porta para conhecer e compreender ‘quem’ coabita na mesma casa.
Esse espaço onde moram tantas coisas, cada uma com a sua bagagem. Bagagem essa, muitas vezes escondida, perdida, esquecida na cave.
E por estar esquecido, não significa que não esteja lá. Talvez por isso, repentinamente somos invadidos por sensações de desconforto, como se algum daqueles habitantes tivesse carregado no botão do elevador, direto da cave, e passasse por todos os andares desta casa, causando um tsunami de pensamentos, emoções, mau estar físico e comportamentos desadequados. Uma onda crescente que alcança tudo à volta além da própria pessoa, mas a família, os amigos, os colegas, o trabalho.
E por isso é necessário ir às divisões escondidas e saber o que mora, onde. Olhar e escutar verdadeiramente o que nos tem a dizer.
Abrir a porta a esta possibilidade, reconcilia-nos com a nossa história. Com a bagagem que trazemos. E fazê-lo com alguém especializado, ajuda a chegarmos mais longe e, esse é um caminho de descoberta que não tem de se fazer sozinho.
Sentirmo-nos acompanhados em todo este processo, é tornar a nossa própria casa num lar. É estar bem no corpo, na mente, onde estamos e com quem estamos.
É estar-se aberto a conhecer a mudança. É co-criar um tempo e um espaço seguros, onde a liberdade de sentir e ser, são tão naturais como respirar.
E é neste processo de respirar, que em simultâneo se respira para dentro. Como um novo ciclo de vida que se gera.
No momento em que se olha para a dor dá-se o reconhecimento, como que uma apresentação cordial e a disponibilidade ao início de uma relação que se pretende como serena e verdadeira.
E assim que posicionamos a dor, a sua dimensão passa para um “eu cá, tu lá”, sem formalismos, sem hierarquias, sem idades.
Numa posição de aceitação, compreensão sem julgamento. É aqui que nasce a própria empatia numa conexão interior onde o Eu se vê, sente-se, aceita-se, cresce, num estado presente de autoconhecimento cada vez mais profundo.
É o início da (re)construção. Com coragem. E o ser-se corajoso assume uma posição de não resistência. É este o anfitrião desta casa.
Aquele que recebe de braços abertos o movimento de deixar ir o que não acrescenta, criando o espaço para o novo entrar.
Este é o ponto de partida para ir mais longe e ser mais além.
Esta é a viagem.
“Podem indicar-nos o caminho, mas só nós o poderemos fazer” B.Weiss
Alexandra Cordeiro
nowuknow – your journey of u